terça-feira, 15 de junho de 2010

Um convite à mobilização

Panfletagem contra a inauguração da TKCSA

18/6, sexta-feira, de 10 às 12hs
Praça do Hospital Pedro II
Santa Cruz

A Baía de Sepetiba pede socorro!
Queremos nosso meio-ambiente limpo, trabalho digno e direitos humanos respeitados!

Venha participar conosco!

Debate: O Significado da CSA

No próximo dia 18/06, será inaugurada a CSA – Companhia Siderúrgica da Atlântico, um empreendimento formado pela empresa alemã Thyssen Krupp Steel e pela Cia. Vale do Rio Doce, localizado no bairro de Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Trata-se de um complexo siderúrgico, compreendendo uma usina siderúrgica, uma usina termoelétrica e um porto com dois terminais, Toda a sua produção, inicialmente prevista de 5 milhões de placas de aço por ano, será destinada exclusivamente à exportação.

Desrespeito à legislação ambiental, suspeita de cooptação de autoridades, ampla concessão de benefícios fiscais ao projeto, emissão desmedida de poluentes, destruição ambiental, perseguição às lideranças populares e o próprio envolvimento com milícias da região são algumas das denúncias que cercam esse projeto.

Venha conhecer e discutir um pouco dessa história


Participações

Marcelo Freixo – Deputado Estadual do PSOL/RJ

Roseneide de Freitas – Comitê Baía de Sepetiba Pede Socorro

Isaac Alves – Associação de Pescadores e Aquicultores da Pedra de Guaratiba

Paulo Passarinho – Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro


Dia 16/06 quarta-feira 14h Auditório da Escola de Serviço Social da UFRJ (2º andar do prédio da Escola de Serviço Social) Campus da Praia Vermelha – Av. Pasteur 250 – Urca

Promoção: Laboratório de Estudos Marxistas José Ricardo Tauile (LEMA)

Apoio: PACS, Corecon/RJ e ESS/UFRJ

quarta-feira, 5 de maio de 2010

terça-feira, 4 de maio de 2010

No último dia 29/04 foi covardemente assassinada a companheira mexicana Beatriz A. Cariño

Ato de entrega de carta de repúdio ao Cônsul do México - RJ Quarta-feira - 5/05/2010 às 11:30 h
 
 
(Consulado Geral do México no Rio de Janeiro Praia de Botafogo, 242 /3o.andar )
 

No último dia 29/04 foi covardemente assassinada a companheira mexicana Beatriz A. Cariño, ou simplesmente Bety Cariño como era conhecida pelos seus companheiros de militância, integrante das organizações CACTUS-AMAP-REMA-RMALC e também do Jubileu Sul Américas.


Bety, outros militantes mexicanos e observadores internacionais integravam uma caravana de solidariedade ao povo de San Juan Copala no estado mexicano de Oaxaca,  quando foram vítimas de uma emboscada armada por paramilitares. O observador finlandês Yiri Antero Jakala também foi morto.

O povo de San Juan Copala luta pelo estabelecimento de um governo autônomo e desde janeiro vem sofrendo com o isolamento (estão sem abastecimento de serviços públicos básicos) e com a repressão de grupos paramilitares ligados a políticos locais contrariados com o movimento de emancipação política.

O Jubileu Sul Américas entregará uma carta de repúdio ao acontecido ao consulado mexicano, na próxima quarta-feira às 11:30 h  aqui no Rio de Janeiro.

sábado, 10 de abril de 2010

I Encontro Internacional dos Atingidos pela Vale, abril de 2010, no Rio de Janeiro

QUAL VALE VOCÊ CONHECE?

A da propaganda, todos já viram. Uma empresa de funcionários sorridentes, trabalhando a serviço do "progresso" do país, investindo na preservação do meio ambiente e no "desenvolvimento" para o povo brasileiro.

Mas peraí!... Será que a coisa é bonitinha assim desse jeito?


Quais são os danos causados pela atuação da Vale? Quais as conseqüências para a região e para as populações locais? Qual é a postura da mineradora diante das reivindicações de comunidades atingidas e de trabalhadores sindicalizados? Quais os crimes cometidos nesses processos? E, por fim: de que maneira altos círculos do poder político e econômico se articulam para que empreendimentos gigantescos sejam viabilizados a qualquer custo, independente de irregularidades e de violações de direitos?



Essas perguntas tem que ser respondidas antes do próximo comercial da TV!



Do dia 12 ao dia 15 de abril de 2010, cerca de cento e cinqüenta pessoas de diferentes nacionalidades estarão reunidas no Rio de Janeiro para discutir a atuação da Vale e os violentos impactos socioambientais causados nos mais de vinte países em que está presente. O I Encontro Internacional dos Atingidos pela Vale será a consolidação de uma rede formada por movimentos, sindicatos e organizações dos cinco continentes.







MAS, AFINAL,



QUEM SOMOS?



Melhor seria perguntar: por que somos? De onde nasce a urgência de protestar e lutar contra as ações de uma das empresas mais poderosas do mundo?



Se hoje nos unimos, é justamente porque conhecemos de perto o que existe para além da propaganda da Vale. Se nos articulamos, trocamos experiências e lutamos em conjunto, é porque percebemos que por trás do discurso da empresa está a sua agressividade e seu poder destrutivo. Sabemos, por exemplo, que o papo de “sustentabilidade” tenta esconder os irreversíveis impactos causados ao meio ambiente; que a história de “responsabilidade social” é contada para ocultar o desrespeito aos direitos das comunidades atingidas pelos empreendimentos da Vale; que a divulgação da imagem de funcionários satisfeitos não apaga o desrespeito a leis trabalhistas nem a intransigência e a arrogância no trato com trabalhadores sindicalizados.



No verso do bonito quadro vendido na TV e nas revistas, atrás da empresa compromissada com a vida e com o “desenvolvimento” do país, encontramos a obsessão transnacional pelo lucro e pela máxima concentração de riquezas. Encontramos desrespeito, injustiça, pobreza, sofrimento, morte.







É por isso que somos.







Somos famílias inteiras desrespeitadas, sem acesso a alguns dos direitos mais fundamentais;



somos trabalhadores explorados em minas de ferro, carvão, níquel, cobre;



somos sindicalistas, ambientalistas, feministas, políticos;



somos estudantes, somos professores;



somos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pescadores, trabalhadores rurais;



somos despejados, removidos, desabrigados, refugiados;



somos migrantes, homens, mulheres e crianças arrancados do chão que pariu e alimentou suas famílias;



somos cidadãos enganados, desempregados, favelados, marginalizados, doentes;



somos sem terra, sem teto, sem trabalho, sem futuro.



Somos brasileiros, chilenos, peruanos, argentinos, moçambicanos, canadenses… Indignados com o saque cotidiano de riquezas que pertencem a nossos povos.







Somos todos lutadores sociais em busca de um desenvolvimento que alcance de forma igualitária a todos os cidadãos e respeite verdadeiramente o meio ambiente, os direitos humanos e a vontade própria das comunidades tradicionais.



E juntos trabalhamos intrumentos e estratégias comuns para expor a verdadeira Vale, contestar seu poder absoluto e fortalecer os trabalhadores e todas as populações atingidas por suas ações.

 
Blog: atingidospelavale.wordpress.com

quinta-feira, 25 de março de 2010

quarta-feira, 10 de março de 2010

Haiti e as falsas promessas da reconstrução

A socioeconomista Sandra Quintela explicita o que há por trás da iniciativa de governos e instituições financeiras de investirem no Haiti: garantir o atendimento dos interesses das transnacionais, dos bancos e, principalmente, o controle do território em uma área estratégica para as grandes potências.

Depois de 45 dias que o terremoto no Haiti matou mais de 150 mil pessoas e desalojou mais de um milhão de homens, mulheres e crianças, o presidente Lula chegou ao país mais pobre do Ocidente (posição que o Haiti ocupava mesmo antes dessa catástrofe).

Em sua terceira visita ao país, Lula levou na bagagem o anúncio de R$ 375 milhões em doações, projetos para a construção de uma hidrelétrica, de frentes de trabalho e de fundação de escolas técnicas haitianas inspiradas no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Ao mesmo tempo em que o G7,o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento(BID) e o Clube de Paris, além de alguns governos, anunciam o desejo de cancelar a dívida externa haitiana, o presidente Lula reforçou o pedido de “perdão” da dívida de US$ 1,3 bilhão pelos organismos internacionais e países credores.

Até agora, a única confirmação de cancelamento foi feita pelo governo da Venezuela, de um montante de US$ 395 milhões. O Clube de Paris, grupo informal de Estados credores que inclui todos os membros do G7,é credor de uma dívida de US$ 214 bilhões. Do total da dívida externa do Haiti , a maior parte foi contraída com o BID (US$ 441 milhões) e um grande montante com o Banco Mundial.

Encontrar esses dados e confirmá-los não é tarefa fácil. Nas páginas do FMI, Banco Mundial e BID, as informações não batem. Por outro lado, encontram-se ali dados que nos chamam a atenção. Como, por exemplo, esse: “Os pagamentos de juros da dívida por parte do Haiti ao BID de 2009 a fins de 2011 estão cobertos por recursos de um fundo respaldado pelos Estados Unidos. Portanto, a dívida do Haiti ao BID não está causando nenhuma saída de fundos do país1”.

Em maio de 2008, o Congresso dos Estados Unidos da América (EUA) aprovou a PL 110-24/"Farm Bill", que incluía o projeto de lei HOPE prorrogado – o HOPE II. O HOPE (Haitian Hemispheric Opportunity ou Oportunidade Hemisférica Haitiana) é um projeto que visa basicamente criar Zonas Francas para a produção de têxteis, ampliado para a
inclusão de bagagem, chapéus e roupas de dormir.

Em 17 de setembro de 2009, o Brasil ratificou com os Estados Unidos um plano para o estabelecimento de plantas industriais no Haiti, no bojo do HOPE. Essa iniciativa permite a exportação livre de impostos para os dois países de bens produzidos no Haiti.

Será que por esta, dentre outras razões, os juros ao BID são pagos pelos EUA? Esse benefício também explicaria a “generosidade” do presidente Lula em concretizar os projetos de construção civil, considerando ainda que em sua última visita ao país, em maio de 2008, levou em sua comitiva representantes da Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa?

Com o terremoto e um país ainda mais destruído abrem-se, do ponto de vista do capital, grandes oportunidades de negócios. Edifícios, casas, ruas, sistemas elétricos, tudo precisa ser reconstruído. Existe uma verdadeira corrida com a intenção de lucrar ao máximo com a miséria alheia. O que é, diga-se de passagem, da natureza do capitalismo. O chamado “cancelamento da dívida haitiana” é promessa antiga.

Em junho de 2009, quase metade dela foi cancelada pelo Banco Mundial e pelo
FMI. Uma das condicionalidades impostas por este “cancelamento” foi a privatização do sistema de telefonia que, todavia, é publico naquele país. Essa promessa se renova com a tragédia humana que vive o Haiti.

O FMI promete um novo empréstimo de US$ 100 milhões. O mesmo FMI que nas ditaduras sangrentas dos Duvalier não cessou de enviar empréstimos externos, quando a comunidade internacional denunciava os crimes dessas e outras ditaduras em nosso continente. Todas financiadas com empréstimos externos.

O Banco Mundial tem atualmente 14 projetos ativos no Haiti, dentre eles - parece ironia - gestão de riscos de desastres. A eficácia de seus projetos é questionada desde os anos de 1980 por várias organizações locais e internacionais. O que foi feito com os empréstimos concedidos ao Haiti? Que controle exerce a sociedade
organizada haitiana sobre sua formulação ou pertinência? É difícil levar a sério o suposto protagonismo que o BID (principalmente) e o Banco Mundial querem assumir no Haiti.

Que legitimidade tem estes organismos?O que fizeram para combater a miséria ou melhorar as péssimas condições da infra-estrutura urbana e rural do país? Há
décadas o Banco Mundial e o BID “investem” no Haiti.

O Haiti foi a primeira nação do mundo a abolir a escravidão. Por isso, ainda no início do século XIX, o Haiti foi obrigado, depois de um bloqueio econômico de dez anos imposto pela França, a assumir e pagar uma dívida externa de 150 milhões de francos-ouro (equivalentes a cerca de US$ 22 bilhões em valores atuais) em compensação à França pela “perda dos escravos” que se rebelaram e se libertaram da
escravidão em 1804.

“Em 1994, o retorno do presidente eleito Jean Bertrand Aristide, que havia sido deposto em 1991 em um golpe de Estado, foi vinculado a uma articulação na qual Aristide deveria se submeter fielmente às políticas recomendadas pelo FMI listadas no denominado Consenso de Washington.

O Haiti abriu suas fronteiras para produtos subsidiados pelos países do Norte,se convertendo em importador de alimentos em um processo de destruição da economia local,a fim de gerar grande contingente de desempregados e, assim, mão de obra barata e sem direitos trabalhistas, beneficiando as multinacionais2”.

Enfim, muitas águas vão rolar sob o rio da reconstrução do Haiti. Os marines, soldados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)e da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah)– comandada pelo Brasil - estão lá com mais de trinta mil soldados. Eles não estão lá para garantir a reconstrução do Haiti focada nos interesses da população haitiana.

A função deles é garantir o atendimento dos interesses das transnacionais, dos bancos e, principalmente, garantir o controle do território em uma área estratégica para as grandes potências.

Apesar disso, e ignorando as inúmeras denúncias de violência e arbitrariedades e os apelos de movimentos sociais organizados haitianos para a retirada das tropas, ao discursar para os militares que estão atuando na missão de paz da ONU, o presidente Lula declarou que esta missão é motivo de orgulho para as Forças Armadas brasileiras.

O povo haitiano, novamente, mesmo após o que se considera uma das maiores catástrofes da história recente, é objeto da ânsia inescrupulosa pelo lucro e da cegueira que assola governantes que não querem admitir o óbvio ululante.



1 http://www.iadb.org/Haiti/index.cfm?id=6470&lang=es

2 “Nota de solidariedade ‘Auditoria Cidadã da Divida” de 17/01/20

quinta-feira, 4 de março de 2010

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Reunião Comitê de Solidariedade com o Povo do Haiti dia 01 de março de 2010

ESTAMOS CONVOCANDO O COMITE DE SOLIDARIEDADE DO HAITI NO RIO PARA UMA REUNIÃO NO SINDIPETRO-RJ AS 18:00

INFORMES DA REUNIÃO DE SÃO PAULO DO COMITE NACIONAL (23/2)

E CONTINUAÇÃO DA CAMPANHA FINANCEIRA E ATIVIDADES POLITICAS (DEBATES E ATOS QUE FORTALEÇAM A CAMPANHA DE APOIO AOS HAITIANOS)

COMPAREÇAM,

SAUDAÇÕES,

JULINHO- CONLUTAS-RIO E SANDRA QUINTELA - JUBILEU SUL

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Entrevista especial com Guilherme Delgado**

Direitos sociais e contas nacionais. Uma análise comparativa*

A notícia veiculada na última semana, de que os gastos com juros do setor público é 13 vezes maior do que orçamento do Bolsa Família para 2010, levantou algumas questões sobre as políticas de direitos sociais e as contas nacionais de produto e renda. No entanto, segundo o economista Guilherme Delgado, em entrevista concedida à IHU On-Line, por telefone, a informação foi magnificada em função da propaganda que se faz do Bolsa Família. “A dívida pública está vinculada aos aplicadores financeiros em títulos. São as pessoas que têm riquezas suficientes para aplicar e fazer essa operação ser objeto de uma rolagem por parte do governo. Não é um gasto social que vá repercutir do ponto de vista de massas urbanas e rurais”, apontou ele.

Delgado comparou o peso dos direitos sociais medidos pelas contas nacionais de produto e renda, observou a representação do superávit primário e dos juros no Produto Interno Bruto (PIB), além de refletir sobre o crescimento e sobre as perspectivas da economia brasileira em 2010, principalmente depois das eleições.


Confira a entrevista.

IHU On-Line – O que o senhor pensa sobre a notícia de que, ainda que os juros do setor público fiquem 5% abaixo do PIB, o custo atual chega a ser 13 vezes maior do que o investimento no Bolsa Família?

Guilherme Delgado – Talvez a questão seja um pouco magnificada pelo fato de se atribuir ao Bolsa Família uma importância orçamentária que ele não tem. O Bolsa Família corresponde a menos de 0,5% do PIB e tem, do ponto de vista orçamentário da política social, um peso menor. O peso dos direitos sociais medidos pelas contas nacionais de produto e renda, se considerarmos benefícios monetários em dinheiro e benefícios em espécie vinculados a direitos sociais e transferências, é de um quarto do PIB. Então, a comparação entre Bolsa Família e juros é influenciada pela propaganda, tanto do governo atual quanto do anterior, mas que não correspondem à magnitude que a política social de Estado tem. Quando comparamos o Bolsa Família com gastos macroeconônicos da dívida pública, que têm uma dimensão muito grande, aí sim faz sentido. Essa comparação reflete uma superdensidade de importância que a mídia atribui ao Bolsa Família, por razões políticas, ideológicas etc., e uma desconsideração para o que realmente é importante, que são os recursos vinculados a direitos sociais, ou seja, uma política de Estado, muito mais do que de governo.

IHU On-Line – Que percentual do PIB isso representa?

Guilherme Delgado – O superávit primário está na faixa de três pontos percentuais do PIB, que paga mais ou menos metade dos juros. Os juros estão na faixa de 5,5% a 6% do PIB. Mas temos o principal, que deve ser amortizado periodicamente. Então, o serviço de juros e amortização da dívida vai representando, periodicamente, uma faixa menor do que 10% do PIB, atualmente.

IHU On-Line – Quem ganha com isso?

Guilherme Delgado – A dívida pública está vinculada aos aplicadores financeiros em títulos. São as pessoas que têm riquezas suficientes para aplicar e fazer essa operação ser objeto de uma rolagem por parte do governo. Não é um gasto social que vá repercutir do ponto de vista de massas urbanas e rurais. O colega Márcio Pochmann fez um cálculo sob 15 mil famílias que seriam as beneficiárias deste gasto macroeconômico básico, que até já diminuiu recentemente por conta da queda de juros. Ela pode voltar a crescer se a dívida pública também voltar a crescer. Já a política social de Estado, aquela que está vinculada a pagamentos de benefícios da previdência, seguro desemprego, assistência social, sistema público de saúde, educação básica e de outras políticas sociais, é algo que repercute em milhões de brasileiros e propicia a formação de uma classe média baixa com acesso a direitos e com acesso a renda miníma de sobrevivência. Esse é o campo de análise e de problematização da política social. Este gasto social que está sendo mirado pela pátria financeira no sentido de ser reformulado, extinto, diminuído, não é o do Bolsa Família, que vai muito bem, obrigado, tanto na agenda do governo como na da oposição.

IHU On-Line – Como senhor vê as perspectivas de crescimento da economia para 2010 em relação à dívida pública?

Guilherme Delgado – Para o ano de 2010, o crescimento estará dentro de limites razoavelmente bons, acima de 5% do PIB. É sobre esse patamar que, no geral, estão trabalhando. Eu não vejo problemas em 2010, porque este ano tem uma conjuntura peculiar. O problema será depois da eleição, em relação às providências que podem ser adotadas no sentido de revisão da política social e previdenciária para acomodar esses interesses e essas demandas contraditórias entre política econômico-financeira e política social. No entanto, em 2010, pela agenda já lançada de investimentos públicos e pela dinâmica do próprio mercado interno, que é impelido fortemente pelo gasto social, a conjuntura aponta para um crescimento acima de 5%. O problema será depois do resultado das eleições.

IHU On-Line – O PMDB já está disputando os rumos do programa de Dilma. Como o senhor vê a ligação, cada vez mais forte, entre o PT e o PMDB?

Guilherme Delgado – O PMDB é o partido que fica dos dois lados, por isso está sempre no poder. O PMDB é importante como um partido representativo de um centro, de uma aliança de governabilidade, no sentido de facilitar a sucessão e o governo do próximo presidente. Acredito que se prevalecerem as tendências eleitorais que temos visto, com a Dilma em crescimento e com uma probabilidade de empate com o Serra, o PMDB vai majoritariamente para o campo da Dilma. Não por convicções ideológicas, mas porque está vislumbrando a possibilidade mais fácil de integrar o futuro governo. Essa é minha avaliação hoje, mas isso muda de acordo com a dinâmica eleitoral.

IHU On-Line – Qual seria a política de Lessa dentro do PMDB?

Guilherme Delgado – Lessa é um quadro acadêmico de longa data muito mais ligado a uma concepção e tradição de um PT clássico do que de um PMDB. Ele é um sujeito nacionalista. Sempre esteve ao lado das lutas pelos direitos sociais. Ele integrou, até recentemente, o PMDB, mas não sei se ele está tendo um papel protagônico nessa estruturação de programas e de ideias a respeito do futuro governo.




IHU On-Line – E como o senhor vê, então, o programa de Dilma?

Guilherme Delgado – Tenho curiosidade em ver, uma vez que ainda não se tem um programa concreto, já que ela é ainda pré-candidata. Ela está disputando uma convenção do partido. O que podemos captar vem dos discursos e da própria engenharia do PAC, como sendo as ideias da Dilma. Se pegarmos apenas esse lado do governo, ela corresponde àquela visão de uma política de Estado, com forte ênfase na construção da infraestrutura e da modernização econômica do país, com uma tendência nacionalista e de maior regulação pública. Dilma é uma keynesiana nesse sentido, que se diferencia do ideal neoliberal dos tucanos. Agora, do ponto de vista da sua orientação, a sua política de Estado, aquela que mencionei como sendo a política que vem da Constitução e hoje é favorecida pela valorização do salário minímo e pela ampliação de alguns direitos sociais, não tenho tido notícia do posicionamento de Dilma. No ano passado, houve todo um debate sobre reforma tributária, mas o governo recuou. No fundo, não foi uma reforma urdida na Casa Civil, mas ainda assim não sabemos a posição desse órgão. Esse é um ponto que temos que questionar: qual é a visão de Dilma sobre reforma da previdência, sobre reforma tributária, sobre os programas de Estado de distribuição de renda? Porque ficar só no Bolsa Família é muito comôdo. O Bolsa Família é um programa que agrada o presidente Lula, que agrada o Banco Mundial e até o Serra. Agrada todo mundo.

Eu queria chamar atenção para o seguinte: Está se formando uma espécie de consenso por exclusão. Alguns temas entram no debate sucessório, e outros não. O Bolsa Família, por exemplo, entra, mas a questão agrária não está no debate presidencial. Já a questão ambiental até entra, porque está na moda, mas ela está muito ligada à questão agrária. Não se pode desvincular esses temas. Além disso, temos a questão de como se vai promover o desenvolvimento com mudanças na política de igualdade, atentando para sua manutenção e aprofundamento. Esses temas precisam ser mais cobrados dos candidatos.

* Fonte: IHU On-Line 22/2/2010

** Guilherme Delgado é doutor em Economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Os Senhores das Guerras

http://www.youtube.com/watch?v=SGsXRTZlGxs

Quantos Haitis? Artigo de José Saramago


O Nobel português rememora outro terremoto: aquele que arrasou Lisboa em 1755. E garante que, como ocorreu com a capital lusa, o Haiti será reconstruído. A questão é: como se reconstruirá a comunidade de seu povo?

O artigo de José Saramago está publicado no seu blog O Caderno de Saramago, 08-02-2010.

Eis o artigo.

No Dia de Todos os Santos de 1755 Lisboa foi Haiti. A terra tremeu quando faltavam poucos minutos para as dez da manhã. As igrejas estavam repletas de fiéis, os sermões e as missas no auge…

Depois do primeiro abalo, cuja magnitude os geólogos calculam hoje ter atingido o grau 9 na escala de Richter, as réplicas, também elas de grande potência destrutiva, prolongaram-se pela eternidade de duas horas e meia, deixando 85% das construções da cidade reduzidas a escombros.

Segundo testemunhos da época, a altura da vaga do tsunami resultante do sismo foi de vinte metros, causando 600 vítimas mortais entre a multidão que havia sido atraída pelo insólito espectáculo do fundo do rio juncado de destroços dos navios ali afundados ao longo do tempo.

Os incêndios durariam cinco dias. Os grandes edifícios, palácios, conventos, recheados de riquezas artísticas, bibliotecas, galerias de pinturas, o teatro da ópera recentemente inaugurado, que, melhor ou pior, haviam aguentado os primeiros embates do terremoto, foram devorados pelo fogo.

Dos 275 mil habitantes que Lisboa tinha então, crê-se que morreram 90 mil. Conta-se que à pergunta inevitável “E agora, que fazer?”, o secretário de Estrangeiros Sebastião José de Carvalho e Melo, que mais tarde viria a ser nomeado primeiro-ministro, teria respondido “Enterrar os mortos e cuidar dos vivos”.

Estas palavras, que logo entraram na História, foram efetivamente pronunciadas, mas não por ele. Disse-as um oficial superior do exército, desta maneira espoliado do seu haver, como tantas vezes acontece, em favor de alguém mais poderoso.

A enterrar os seus cento e vinte mil ou mais mortos anda agora o Haiti, enquanto a comunidade internacional se esforça por acudir aos vivos, no meio do caos e da desorganização múltipla de um país que mesmo antes do sismo, desde gerações, já se encontrava em estado de catástrofe lenta, de calamidade permanente.

Lisboa foi reconstruída, o Haiti também o será. A questão, no que toca ao Haiti, reside em como se há-de reconstruir eficazmente a comunidade do seu povo, reduzido não só à mais extrema das pobrezas como historicamente alheio a um sentimento de consciência nacional que lhe permitisse alcançar por si mesmo, com tempo e com trabalho, um grau razoável de homogeneidade social.

De todo o mundo, de distintas proveniências, milhões e milhões de euros e de dólares estão sendo encaminhados para o Haiti.

Os abastecimentos começaram a chegar a uma ilha onde tudo faltava, fosse porque se perdeu no terremoto, fosse porque nunca lá existiu. Como por ação de uma divindade particular, os bairros ricos, em comparação com o resto da cidade de Porto Príncipe, foram pouco afectados pelo sismo.

Diz-se, e à vista do que aconteceu no Haiti parece certo, que os desígnios de Deus são inescrutáveis. Em Lisboa as orações dos fiéis não puderam impedir que o teto e os muros das igrejas lhes caíssem em cima e os esmagassem.

No Haiti, nem mesmo a simples gratidão por haverem salvo vidas e bens sem nada terem feito para isso, moveu os corações dos ricos a acudir à desgraça de milhões de homens e mulheres que não podem sequer presumir do nome unificador de compatriotas porque pertencem ao mais ínfimo da escala social, aos não-ser, aos vivos que sempre estiveram mortos porque a vida plena lhes foi negada, escravos que foram de senhores, escravos que são da necessidade.

Não há notícia de que um único haitiano rico tenha aberto os cordões ou aliviado as suas contas bancárias para socorrer os sinistrados. O coração do rico é a chave do seu cofre-forte.

Haverá outros terremotos, outras inundações, outras catástrofes dessas a que chamamos naturais. Temos aí o aquecimento global com as suas secas e as suas inundações, as emissões de CO2 que só forçados pela opinião pública os governos se resignarão a reduzir, e talvez tenhamos já no horizonte algo em que parece ninguém querer pensar, a possibilidade de uma coincidência dos fenômenos causados pelo aquecimento com a aproximação de uma nova era glacial que cobriria de gelo metade da Europa e agora estaria dando os primeiros e ainda benignos sinais.

Não será para amanhã, podemos viver e morrer tranquilos. Mas, di-lo quem sabe, as sete eras glaciais por que o planeta passou até hoje não foram as únicas, outras haverá.

Entretanto, olhemos para este Haiti e para os outros mil Haitis que existem no mundo, não só para aqueles que praticamente estão sentados em cima de instáveis falhas tectônicas para as quais não se vê solução possível, mas também para os que vivem no fio da navalha da fome, da falta de assistência sanitária, da ausência de uma instrução pública satisfatória, onde os fatores propícios ao desenvolvimento são praticamente nulos e os conflitos armados, as guerras entre etnias separadas por diferenças religiosas ou por rancores históricos cuja origem acabou por se perder da memória em muitos casos, mas que os interesses de agora se obstinam em alimentar.

O antigo colonialismo não desapareceu, multiplicou-se numa diversidade de versões locais, e não são poucos os casos em que os seus herdeiros imediatos foram as próprias elites locais, antigos guerrilheiros transformados em novos exploradores do seu povo, a mesma cobiça, a crueldade de sempre.

Esses são os Haitis que há que salvar. Há quem diga que a crise econômica veio corrigir o rumo suicida da humanidade. Não estou muito certo disso, mas ao menos que a lição do Haiti possa aproveitar-nos a todos.

Os mortos de Porto Príncipe foram fazer companhia aos mortos de Lisboa. Já não podemos fazer nada por eles. Agora, como sempre, a nossa obrigação é cuidar dos vivos.




 - Uma Bolsa-Família Internacional para o Haiti?

Se no Brasil o programa foi capaz de assegurar alimentação diária para 44 milhões de seres humanos, como não será possível que algumas dezenas de países juntos destinem parte de seus recursos para assegurar alimentos a 10 milhões de haitianos?

A proposta é de Beto Almeida, membro da Junta Diretiva de Telesur e presidente da TV Cidade Livre de Brasília, em artigo publicado pelo jornal Brasil de Fato, 10-02-2010.


Eis o artigo.


O presidente Lula, escolhido como o estadista do ano, poderia propor ao mundo a implantação de um programa Bolsa-Família Internacional para o Haiti. Se no Brasil o Bolsa-Família foi capaz de assegurar alimentação diária para 44 milhões de seres humanos que viviam, ou melhor, vegetavam dormindo e acordando com fome, como não será possível que algumas dezenas de países juntos, sobretudo os ricos, destinassem parte de seus recursos para assegurar a 10 milhões de haitianos que possam alimentar-se regularmente, enquanto o país é reconstruído?

É verdade que muitos países estão já repartindo parte de suas receitas com os haitianos. O Brasil aprovou recursos de 350 milhões de reais para a ilha caribenha. Cuba mandou para lá cerca de 60 médicos e já está montando o quinto hospital de campanha, com a ajuda dos países que formam a ALBA – Aliança Bolivariana dos Povos da América.

A Unasur estará reunindo-se por estes dias também para propor uma ação concreta de ajuda ao Haiti.

Mas a diferença de um Programa Bolsa-Família Internacional é que daria regularidade, sustentação e promoveria o compromisso da comunidade internacional com a sorte daquele povo que já sofreu invasões militares tanto de franceses como de norteamericanos, que já teve seus recursos rapinados, que foi obrigado a pagar uma dívida escorchante com a França, que teve que suportar uma sanguinária ditadura apoiada pelos EUA e agora tem que reconstruir-se todo após o terremoto. É evidente que com uma pequena parcela do que estes países ricos gastam em armamentos, em cosméticos, em comida para cachorro, em álcool e guloseimas já seria possível garantir o funcionamento de um Bolsa-Família no Haiti. O que deve ser indagado, com veemência, é se querem mesmo salvar o Haiti, como afirmam neste circo midiático que se formou ou se vão, uma vez mais, condenar o Haiti à morte.

No caso brasileiro, também é importante que além dos médicos, alimentos, medicamentos, veículos e maquinário para realização de obras de infraestrutura, o Batalhão de Engenharia do Exército Brasileiro, os programas de reconstrução que Lula está direcionando para o Haiti incluíssem a proposta de Bolsa-Família Internacional. Isto porque não é difícil prever, lamentavelmente, que um país que já praticamente não tinha uma economia de pé, que teve sua agricultura destruída pelo colonialismo, agora, após um terremoto deste porte, venha a sofrer também efeitos catastróficos da fome e da desnutrição. Sem contar, infelizmente, com alguma possibilidade grave de epidemias, como alertam já os profissionais de saúde.



Rádio Solidariedade

O Bolsa-Família, por meio do cadastramento das mães, permitiria salvar as crianças, a parte mais frágil de tudo isto, bem como os idosos e enfermos. O uso do rádio pode ser decisivo para orientar e dar informações de utilidade pública para toda uma população que hoje vive sob barracas, ao relento, sem endereço, sem instalações sanitárias, sem água, luz etc. Por isso, é positiva a ideia de algumas entidades sindicais e comunitárias brasileiras de coletar milhares de radinhos de pilha e doar ao Exército Brasileiro para distribuir entre os haitianos. Assim, os haitianos podem ser alcançados pela programação da Rádio ONU, por exemplo, ou outra que cumpra a função social e humanitária, rigorosamente obrigatórias. A depender de avaliação do Exército - consultas estão em curso - estas entidades poderiam também enviar transmissores de rádios comunitárias, desde que assegurado o seu funcionamento seguro e adequado, já que há ainda a atuação de grupos armados que organizam saques

Assim, caberia também ao governo pensar na instalação de um Ponto de Cultura do Minc por lá, tal como o já existente em Caracas. Assim, a solidariedade brasileira ao Haiti ganharia em qualidade com a participação popular, tal como está propondo o MST, disposto a enviar técnicos agrícolas, sementes, ferramentas. Vale lembrar que relatório da Fao indica que existe uma produção de feijão com risco de perda já que os haitianos, que tudo perderam, estão cuidando dos enfermos, não têm transporte, não há infraestrutura para promover esta colheita. Quantas brigadas de solidariedade não se enviaram à Nicarágua e a Cuba para a colheita do café da cana. É hora de refazê-las. O movimento estudantil, os sindicatos, as universidades brasileiras também poderiam oferecer ajuda, seja coletando os radinhos, ou sementes, seja desenvolvendo programas técnicos adequados para a situação, seja por meio do envio de brigadas, que atuariam em coordenação com o Exército Brasileiro, conformando uma aliança cívico-militar que já atuou de forma muito positiva em nossa História, por exemplo, na Campanha “O Petróleo é Nosso”, que resultou na criação da Petrobras.

- Integração latino-americana e caribenha

Há uma disputa de ocupação estratégica naquela região. Mesmo nas tragédias os planos mais sinistros vicejam. Se há supostos missionários dos EUA presos por tentarem sequestrar crianças haitianas....como denunciou a Telesur. O Brasil tem realizado obras importantes no Caribe, com a presença de suas empresas estatais - como a Petrobras, que está ampliando e modernizando o Porto de Mariel, em Cuba - e esta presença deveria ser consolidada, qualificada obviamente, não com o sentido colonialista como se aventa maliciosamente nas páginas do jornalismo de desintegração. O sentido deve ser o de promover a legítima e necessária integração dos países da América latina e Caribe. No Caribe está a Quarta Frota dos EUA, que despejaram mais de 13 mil fuzileiros no Haiti. Por ali também navega a Frota Russa. Ali está a Venezuela nacionalizando seus recursos e onde estão importantes empresas estatais e privadas brasileiras. E sabemos que não é apenas no filme “Avatar” que o complexo militar-industrial possui planos agressivos contra a Pátria de Bolívar.

Já Cuba tem hoje no Haiti 600 médicos. Já tinha centenas antes do terremoto, além de programas de alfabetização em dialeto creole, desenvolvido por pedagogos cubanos, com o uso criativo do rádio. Detalhe: em Cuba já não há mais analfabetismo, há décadas! E agora o país também está enviando para Porto-Príncipe jovens haitianos que estudam na Escola de Latinoamericana de Medicina, localizada em Havana. Nesta Escola também estudam, gratuitamente, 500 jovens estadunidenses, em sua maioria negros e pobres dos bairros do Harlem e do Brooklin. Alguns destes estudantes estadunidenses também estão sendo enviados para o Haiti para atender os enfermos.

O episódio caracteriza uma situação muito interessante para ser examinada não à luz da medicina, mas da política: o mais rico país do mundo, que tem o maior número de médicos do mundo, que tem também o maior orçamento militar de todo o mundo, desembarca 13 mil soldados no país destroçado. E Cuba, que é um país de escassos recursos materiais, além de permitir que jovens pobres e negros estadunidenses formem-se em medicina - um deles declarou que se continuasse no Harlem provavelmente cairia nas mãos do narcotráfico - os envia para prestar solidariedade a um povo negro e irmão, evidenciando o sentido simbolicamente antagônico das duas iniciativas. Lá no Haiti, este estudante armado de idéias, de sabedoria e uma consciência de medicina social, tal como o Che praticou, quando se defrontar cara a cara com um mariner armado, preparado para matar, revelará ao mundo uma das mais generosas lições do dolorido Haiti.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Pólo Siderúrgico da TKCSA ameaça comunidade de pescadores na Zona Oeste do Rio

A Associação de aquicultores e pescadores de Pedra de Guaratiba, Baía de Sepetiba, vem denunciando a ação da Companhia Siderúrgica do Atlântico/Thyssen Krupp, TKCSA vem ameaçando a vida dessa comunidade de pescadores.

Os pescadores da Baía de Sepetiba, localizada no Estado do Rio de Janeiro, vivem uma situação desoladora desde 2006, quando começou a instalação do consórcio empresarial Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA), formado pela empresa alemã Thyssen Krupp e pela Vale e financiado com R$ 1,48 bilhão do BNDES. Os graves danos ambientais provocados pela obra ameaçam agora a vida de cerca de oito mil famílias de pescadores que vivem no local.

“A situação está cada vez pior. Não temos capacitação nem condições financeiras para tentar trabalho em outro lugar ou mesmo para se mudar”, afirma o pescador artesanal Ivo Soares, que preside a Associação de Aquicultores e Pescadores de Pedra de Guaratiba. O pescador tem 13 irmãos, 12 deles trabalham na pesca. “Não está dando mais para sobreviver, há muita poluição. O governo deve tomar uma atitude e se voltar mais para a classe menos favorecida”, reclama.

Em protesto, mais de 150 organizações sociais e personalidades assinaram uma carta de apoio a esses pescadores. A carta será entregue hoje (17) ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. No documento, as organizações sociais denunciam ameaças de morte sofrida pelos pescadores da região. Na última sexta-feira (13), o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo receberam a carta e, segundo informações do Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS), se comprometeram a investigar as denúncias.


“Nós queremos que essas ameaças sejam investigadas pelas autoridades competentes. A Thyssen Krupp vem ao longo dos anos infringindo diversas leis brasileiras. Na verdade, eles não respeitam lei de país nenhum. No site www.business-humanrights.org, há vários casos de violação realizados por essa empresa”, ressalta Sandra Quintela, assessora do PACS. “Além da poluição, há a denúncia de que mais de 500 chineses estejam sendo submetidos a trabalho degradante e moram na obra”, acrescenta.

Ao ser questionada sobre o motivo pelo qual diversas empresas transnacionais são beneficiadas com a impunidade, Sandra diz acreditar que haja uma conivência do poder público com o grande capital: “Não importa se estão violando lei, prejudicando pessoas, o importante é o desenvolvimento econômico. É assim que muitos governos pensam”.

Sandra Quintela lembra ainda que essa obra faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento e da Iniciativa IIRSA (Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-americana), projetos desenvolvidos com dinheiro público. Ela enfatiza que as organizações sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) e a Central de Movimentos Populares, planejam ações para pressionar os órgãos públicos a investigar as denúncias.

Fonte: ADITAL

Foto da planta das obras da TKCSA

fonte:http://diariodorio.com/wp-content/uploads/2008/02/futuras-instalaes-da-csa-thyssen1.jpg

Dívida odiosa

http://www.youtube.com/watch?v=83nM9h646LE

Em entrevista ao Ibase Sandra Quintela fala sobre a dívida externa

por Jamile Chequer do Ibase

Trocar a dívida externa por educação significa reconhecer que a dívida existe. O Jubileu Sul tem feito descobertas interessantes: dos 800 contratos que deveriam comprovar a existência da dívida externa brasileira, apenas 200 foram encontrados no Senado. Onde estariam os atestados do saldo devedor brasileiro? Será que eles não existem? Em entrevista, a socioeconomista, coordenadora de programas do Pacs (que integra o Jubileu Sul), Sandra Quintela, explica porque o "não à troca da dívida por educação" deve ser nossa palavra de ordem.

Ibase - Um marco claro da mercantilização da educação no Brasil foi quando a classe média começou a investir na educação privada, preterindo a educação pública. Você pode resgatar essa história?

Sandra Quintela - A partir da década de 1980, começou a idéia de que o privado era bom e o público, ruim. Toda essa construção neoliberal teve seu ápice no Consenso de Washington e, nos anos 1990, foi aprofundada. Até mesmo a bandeira da educação e da saúde pública de qualidade deixou de ser uma bandeira dos sindicatos, daqueles que eram protagonistas na luta social. A luta por saúde e educação pública de qualidade deixou de ser uma luta de amplos setores organizados da sociedade. Mesmo a classe média que estava na direção dos sindicatos, as próprias ONGs, colocou seus filhos na escola privada, adotou o plano de saúde privado. Com o neoliberalismo, que representa o individualismo, esse processo vai se aprofundando.

Ibase - Como seria possível promover a mudança? Ainda devemos apostar em armas como a greve?

Sandra Quintela - Claro que a greve é um instrumento legítimo, mas será que dentro do serviço público é o melhor instrumento? Será que não seria interessante usar a tática do MST de ocupar, resistir, produzir? Ocupar as escolas públicas, resistir nas escolas públicas, como os estudantes estão fazendo na França, por exemplo? Eles ocuparam as universidades para resistir de dentro. Quem sofre com a greve do serviço público são os mais pobres, que são os usuários desses serviços.

Acho que estamos em um momento de criar. Precisamos ter a mente aberta para isso. Agora, com essa complexificação maior da chamada globalização, os acordos são tratados em Genebra e vêm bater aqui, na vida da gente, como é o caso da OMC. Mudar a tática de luta é fundamental para garantir que tenhamos um país justo, soberano, multiétnico, que respeite as diferenças. Temos que criar, principalmente no que diz respeito ao setor público. Temos que criar canais de diálogo com a população.

Ibase - Há uma proposta do Banco Mundial de trocar a dívida por educação. Em que contexto essa proposta de troca surgiu?

Sandra Quintela - Ela surge a partir de conferências e vai ganhando corpo em reuniões, inclusive de ministros de Educação em organismo da ONU, na Unesco. O pior é que ela foi absorvida por movimentos sociais ligados à educação, como a Confederação Nacional dos Trabalhadores de Educação. A campanha diz que "a verdadeira dívida é com a educação". Mas temos que pensar o seguinte: essa não é uma iniciativa soberana dos países que aceitam fazer isso. É uma iniciativa que nasce em encontros do Banco Mundial etc.

Ibase - E isso é um grande problema...

Sandra Quintela - Sabemos muito bem que o mercado da educação é um mercado em expansão, ironicamente falando. Imagina, as escolas públicas podem ser transformadas em escolas privadas. Seria uma maravilha para quem é do capital, já encontraria uma estrutura pronta. Com tratados como a Alca, por exemplo, isso pode acontecer. Uma escola privada localizada perto de uma escola pública pode entrar na Justiça, em um tribunal de arbitragem internacional, para dizer que a concorrência é injusta. A escola pública pode até ser fechada em função dessa concorrência "desleal". A Alca prevê a privatização dos serviços públicos, a diminuição da capacidade do Estado de gerir políticas públicas que busquem superar as desigualdades, as injustiças. Ao entrar na lógica da conversão de dívida, entra-se na lógica dos credores. E esta última é a lógica dos negociadores dos tratados comerciais, que pretende flexibilizar a entrada do capital na educação, na saúde. Os interesses privados se tornam interesses públicos.

Ibase – Escolas públicas podem se tornar privadas?

Sandra Quintela - É uma coisa muito louca. Como saúde e escola são mercados em expansão do ponto de vista do capital, há muito interesse do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional, do Banco Interamericano de Desenvolvimento em privatizar esses serviços. Por isso, achamos que é um equívoco os movimentos se envolverem nisso. Em última instância, quem concorda em cancelar dívida é o credor. E o chamado credor, ao concordar, vai dizer: "eu concordo, mas e aquela legislação que vai favorecer a privatização dos serviços de água, saneamento?" Isso vem com uma série de condicionalidades cruzadas que, de fato, aprofundam o processo de privatização e a diminuição do Estado na gestão e promoção de políticas sociais. É também uma forma de dominação cultural.

Ibase - A dominação cultural interfere diretamente no ensino público?

Sandra Quintela - Sim. Há algum tempo, nós e outras organizações tentamos frear a distribuição nas escolas da cartilha na qual a Monsanto dizia como os transgênicos são maravilhosos. É uma dominação cultural que entra pelas escolas. Acho que deveríamos pensar, refletir. A parceria público-privado e a cultura do consumo também são. Produzimos um material fazendo críticas à Coca-Cola e algumas escolas municipais proibiram a entrada porque tinham parceria com a empresa. Então, ocorre uma ingerência do capital privado em uma escola pública pelo processo de parceria. A parceria público-privada é uma péssima iniciativa. Ficam os prejuízos para o Estado e os lucros para a iniciativa privada. Inclusive os lucros futuros ficam garantidos. Se houver alguma quebra de lucro futuro o Estado cobre. É o capitalismo ideal.

Ibase - E como está a campanha da auditoria da dívida?

Sandra Quintela - O Jubileu tem constituído uma coordenação política de auditoria cidadã e a idéia é fazer a auditoria dessa dívida e mostrar que ela já foi paga diversas vezes. Além disso, estamos chegando à conclusão de que não há documentos que provem que ela existe. Dos mais de 800 contratos que deveriam existir, só conseguimos acessar um pouco mais de 200. Há cerca de 600 papéis que ninguém sabe onde estão, mas deveriam estar no Senado. Nós conseguimos, pelo senador Eduardo Suplicy, autorização para ter acesso a todos os contratos. Estamos pagando uma dívida que não está comprovada nem no papel.

Publicado no Portal da Agência IBASE

Coordenadora da Missão brasileira ao Haiti fala ao Boletim do Núcleo Piratininga de Comunicação - NPC

Sandra Quintela, visitou o Haiti como membro de uma delegação de organismos de vinte países. Nesta entrevista, ao Boletim do NPC, Sandra nos traz informações que não chegam através da grande mídia. Por Claudia Santiago, maio de 2005 (boletim 67)

Boletim NPC. Qual a primeira imagem que te vem à cabeça quando você pensa na viagem que fez ao Haiti.

Sandra. A presença militar. Soldados nas ruas. Carros blindados. Carros caríssimos da ONU por todos os lugares. Muita gente nas ruas. Um comércio intenso. Mulheres carregando potes de água na cabeça...

Boletim NPC. O Nobel da Paz, Adolfo Perez Esquive disse em entrevista ao jornal Página 12 que o Haiti é "uma terra a que os olhos do mundo parecem dar as costas e que os haitianos os condenados da terra". Você concorda?

Sandra.O Haiti por ter sido um pais cuja independência foi conquistada pelos escravos em 1804, sofre por isso uma espécie de 'pecado original': como pode um país negro e pobre organizar sua independência? O Haiti sofreu inúmeros golpes e ocupações militares ao longo de sua história e ao mesmo tempo é um povo que luta, resiste mostra dignidade, em um momento difícil. Poucos teriam essa capacidade.

Boletim NPC. Com quem vocês se encontram no Haiti?

Sandra. A missão encontrou o presidente da Republica, o primeiro ministro, o Conselho de Sábios (substituíram o Congresso Nacional, desde a queda de Aristides), ministro do Meio Ambiente, o Conselho Eleitoral Provisório, cerca de 60 organizações da sociedade civil (mulheres, sindicatos, direitos humanos, partidos, etc), Embaixadas da União Européia, Chile e Cuba, OEA, ONU e o Comando das tropas militares da ONU no Haiti, o general Heleno Ribeiro. Além disso, visitamos hospitais, escolas, o presídio central e a Zona Franca situada na fronteira com a Republica Dominicana.

Boletim NPC. Como o movimento social com o qual você teve contato vê a saída de Aristides?

Sandra. Aristides, em seu segundo mandato, nada tinha a ver com o Aristides que permaneceu em nossa memória, ou seja, o ex-padre, formado dentro dos princípios da Teologia da Libertação. O Aristides 2 implementou um programa radicalmente neoliberal que aprofundou ainda mais a catástrofe sócio-econômica do país. Quando de sua saída, a população estava na rua exigindo sua renúncia. Ao deixar o país, em 29 de fevereiro de 2004, havia o risco dele cair graças à força dos movimentos sociais. Ele saiu e assumiu um governo interino que está dando continuidade à mesma agenda econômica de Aristides. Ou seja, mudaram para nada mudar. O governo interino obedece à mesmíssima orientação econômica que traz fome e miséria e que fez o povo se rebelar contra Aristide.

Boletim NPC. O que estes movimentos sociais almejam para o seu país?

Sandra. A possibilidade de que este país, negro e pobre, e com uma capacidade enorme de luta e resistência possa encontrar seu caminho de autonomia e soberania. Querem o cancelamento de sua dívida externa contraída durante ditaduras sangrentas com as do Duvalier ou aumentada em inúmeros golpes já sofridos.

Quase 90% da dívida externa do Haiti é com agências multilaterais, como o Banco Mundial e o FMI.

O governo não prioriza as dívidas social, ambiental e política com o povo haitiano, mas paga a dívida financeira. E os empréstimos e "ajudas" novas condicionam sua aplicação ao pagamento da dívida.

Querem a reparação da divida histórica que a França tem com o povo haitiano. A França para aceitar a independência do Haiti exigiu que aquela nascente nação pagasse uma enorme soma em dinheiro que deu origem a divida externa do Haiti. Querem a possibilidade de que uma reforma agrária ampla seja realizada. Querem os direitos das mulheres sendo respeitados. Querem a possibilidade de trabalhos dignos e não o trabalho semi-escravo nas maquiladoras...

Boletim NPC. Como são vistas as tropas da ONU pelos movimentos sociais e pessoas com quem tiveram contato?

Sandra. A absoluta maioria dos movimentos e organizações sociais com quem estivemos (mais de 60) é contrária à presença de tropas no país. O argumento é o de que não estão em guerra e que, portanto, não necessitam de tropas militares. Além de ser extremamente violador a presença militar estrangeira em qualquer pais do mundo, não?

Boletim NPC. Que funções estão sendo cumpridas pelos Capacetes Azuis?

Sandra. Em linhas gerais são três prioridades da Minustah* apoiar o governo interino no sentido de garantir o Estado de direito; garantir a realização das eleições gerais e a promoção de um processo de desarmamento. O que pudemos observar é que essas funções estão sendo cumpridas de forma muito precárias, pois, a violência tem aumentado no país e cresce o descontentamento com o governo interino.

Minustah*. Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti - Destacamento civil e militar da Organização das Nações Unidas (ONU) que, desde junho de 2004, ocupa o Haiti. O comando das tropas da missão - que conta com cerca de 4 mil soldados, 1.200 do Brasil - está sob a responsabilidade do general brasileiro Augusto Heleno Pereira Ribeiro.

Boletim NPC. A missão reconhece a legitimidade das tropas?

Sandra. A missão condena a presença de qualquer tropa militar estrangeira em qualquer país do mundo. Defendemos a capacidade de autodeterminação e soberania dos povos. Não podemos aceitar a legitimidade dessas tropas. Ainda mais que o problema do Haiti não é militar. O problema é social, econômico e político.

Boletim NPC. As eleições previstas para o ano que vem podem ser vista como uma esperança para o país?

Sandra. As eleições previstas para outubro (municipais) e novembro (legislativas e presidenciais), são de suma importância para a estabilização do país. Por isso mesmo é preciso dissipar o cenário de violência no Haiti, que sofre com o alto grau de militarização. Uma das recomendações concretas da Missão foi a de que fosse formulado um plano de administração eleitoral com a participação da União Interamericana de Organismos Eleitorais, do Instituto Interamericano de Direitos Humanos e a Comissão Assessora de Promoção Eleitoral (CAPEL). Atualmente os pleitos estão sendo coordenados pela Organização dos Estados Americanos (OEA ), o que consideremos insuficiente em termos de experiência na organização de eleições.

BoletimNPC . Quem é Sandra Quintela? Por que você foi escolhida para participar da Missão?

Sandra. Sou alagoana, economista e carioca adotada. Fui indicada pela Rede Jubileu Sul/Campanha contra a Alca para coordenar o grupo brasileiro participante da missão. Fui também uma das coordenadoras latino-americana da missão participando de sua organização desde quando surgiu a idéia de realizá-la, em julho de 2004, durante o Fórum Social das Américas realizado no Equador.

BoletimNPC . Obrigada, Sandra Quintela. Boa sorte na atual missão de contar para as pessoas os que vocês viram no Haiti.

ENTREVISTA AL COMPAÑERO JEAN PIERRE RICOT (de la organización PAPDA)

ENTREVISTA AL COMPAÑERO JEAN PIERRE RICOT - para el reporte de la Minga Informativa de Movimientos Sociales.

- Además encontrarán más noticias de movimientos de toda la región-

Puedes escuchar el programa en línea o descargarlo http://radioteca.net/result.php/13030094



COBERTURA ESPECIAL EN HAITI – AGENCIA PULSAR

Encontrará informes, noticias, testimonios y fotos de esta cobertura.


La Agencia Púlsar realiza una cobertura especial sobre la situación en el país caribeño junto a la Asociación Latinoamericana de Educación Radiofónica (ALER) y a la Unión Dominicana de Emisoras Católicas (UDECA).


Además, AMARC Internacional lanzó un llamado a las radios comunitarias del mundo para redoblar su solidaridad con el pueblo haitiano.


En ese marco, AMARC Internacional realiza una misión para colaborar con la reconstrucción de las radios comunitarias afectadas por el terremoto del 12 de enero pasado.


http://www.agenciapulsar.org/ - pulsar@agenciapulsar.org

Argentinos marcham em rechaço à presença de tropas estrangeiras no Haiti

Presentes no país caribenho desde 2004, sob comando do Brasil, os soldados que formam parte da suposta ‘missão de estabilização’ da ONU seguem sendo alvo de protestos. Após o terremoto, a ingerência estadunidense intensificou-se no Haiti e, em todo o mundo, são muitas as ações que pedem sua retirada imediata. Amanhã (05), às 18h, em Buenos Aires, Argentina, acontece uma marcha de solidariedade aos haitianos e às haitianas desde a Praça Itália até a Embaixada dos Estados Unidos.

A atividade é convocada pela Convergência de Esquerda, Frente Obreira e Socialista, Esquerda Socialista, Movimento Socialista dos Trabalhadores, Novo MAS, Partido Obreiro, Partido Comunista dos Trabalhadores e Partido dos Trabalhadores Socialistas.

Ademais de rechaçar a ocupação militar estrangeira no país e expressar solidariedade com povo haitiano, a marcha tem o objetivo de pedir a anulação imediata da dívida externa e a desocupação das tropas da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah).

De acordo com informações divulgadas por agências de notícias, a Minustah tem mais de 12 mil efetivos de diversos países no país caribenho. Somente Estados Unidos têm mais de 13 mil militares no local e controla o aeroporto internacional de Porto Príncipe.

No entanto, a presença de tropas estrangeiras não é exclusividade do Haiti. Ainda há bases militares estadunidenses em outros países caribenhos e latino-americanos, como em Cuba, Panamá, Porto Rico, Honduras e Colômbia.

Ademais, França também contribui para a militarização da região. Segundo agências de notícias, o país tem bases aéreas, navais e terrestres em Guiana Francesa, Martinica e Guadalupe. Na região caribenha, há pelo menos 8.000 efetivos do país europeu.
 
Fonte:  http://www.adital.org.br/

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Esperança Haiti

fonte:http://www.glahaiti.org/user_files/photos/Cafe%20Presse/Visualize%20Haiti.jpg

Haiti: Comunicado das organizações populares: As perspectivas após a catástrofe

“Honra e respeito à população de Porto Príncipe! Foi a extraordinária solidariedade manifestada pela população da região metropolitana que durante os três primeiros dias depois do terremoto respondeu com a auto-organização construindo 450 campos de refugiados que contribuíram para salvar milhares de pessoas graças ao fato de partilharem de forma comunitária todos os recursos disponíveis (alimentos, água, roupas)”.

O relato é do comunicado redigido por uma série de organizações populares do Haiti acerca da catástrofe que atingiu o país. As organizações declaram também sua “indignação frente à utilização da crise haitiana para justificar uma nova invasão de 20 mil marines norte americana (...) não aceitamos que o nosso país seja transformado em uma base militar”, afirmam elas.

A tradução é do Cepat.- curitiba, Parana

Eis o comunicado.



A todos os nossos aliados:

No dia 12 de janeiro de 2010, um terremoto de enorme violência atingiu nosso país com consequências dramáticas para as populações de vários municípios dos Departamentos do Oeste, do Sudeste e do conjunto do país. Este terremoto de magnitude 7,3 na escala Richter e as perdas irreparáveis que provocaram enlutaram nosso país deixando dores insuportáveis. Este drama que nos afeta hoje é sem dúvida alguma um dos mais graves de nossa história e a causa de um traumatismo profundo que marcará o século XXI haitiano.

Os balanços parciais até aqui tentam medianamente expressar uma realidade espantosa e indizível: o horror que vivemos juntos durante estes 35 segundos intermináveis que, em 12 de janeiro, deixou um pesado tributo de dores e de lágrimas. Mais de 150 mil mortos, 500 mil feridos, mais de um milhão sem teto, dezenas de milhares de amputados, mais de 300 mil pessoas refugiadas, mais de três milhões de seres devastados que, em um minuto, viram transformar para sempre suas vidas, suas famílias e suas sociedades. Uma sociedade inteira traumatizada que vive no medo permanente de um possível novo terremoto.

Todas nossas organizações foram profundamente sacudidas por este acontecimento. Perdemos familiares, companheiros de trabalho, crianças, jovens, profissionais cheios de promessas, de sonhos e de capacidades, edifícios, equipes, ferramentas de trabalho e uma documentação imensa baseada em mais de 30 anos de experiências coletivas com as organizações e as comunidades de base. As perdas são imensas e irreparáveis.

É indispensável apesar da dor que todos e todas sentimos refletir sobre o que acaba de acontecer e tirar dessa experiência trágica as lições e as orientações que nos permitam continuar com o nosso incansável trabalho de construção de outro país capaz de vencer o ciclo de desgraça e dependência e de se colocar à altura dos sonhos de emancipação universal de seus fundadores e de todo o povo haitiano.

O tamanho do desastre está vinculado sem duvida alguma a natureza do Estado em nosso país, uma herança histórica colonial e neocolonial e a implementação das políticas neoliberais ao longo das últimas três décadas. A hipercentralização ao redor da ‘República do Porto Príncipe’ definida pela ocupação norte-americana de 1915 é sem dúvida um dos fatores determinantes. Em particular, a liberalização completa do mercado dos bens imobiliários abriu um espaço de especulação desenfreada aos aproveitadores de todo tipo.

Comove-nos profundamente a extraordinária solidariedade manifestada pela população da região metropolitana que durante os três primeiros dias depois do terremoto respondeu com a auto-organização construindo 450 campos de refugiados que contribuíram para salvar milhares de pessoas graças ao fato que partilharam de forma comunitária todos os recursos disponíveis (alimentos, água, roupas). Honra e respeito à população de Porto Príncipe! Estes mecanismos espontâneos de solidariedade devem desempenhar um papel essencial no processo de reconstrução e de re-conceitualização do espaço nacional.

Enviamos esta carta a nossos colaboradores das diversas redes nacionais e internacionais, das quais fazemos parte, com o objetivo de informar sobre os passos que temos dado e sobre nossos objetivos a curto, médio e longo prazo.

Faz mais de uma semana nosso grupo de organizações e de plataformas se reúne com frequência com o objetivo de fazer frente a esta nova situação definindo novas estratégias e implementando novas maneiras de trabalhar. Assim, nós, os responsáveis das organizações e plataformas que assinamos esta carta, depois de vários encontros para analisar a nova situação e definir estratégias comuns adotamos uma posição baseada nos seguintes eixos:

- Contribuir para preservar os principais êxitos dos movimentos sociais e populares haitianos ameaçados pela nova situação;

- Contribuir na resposta às necessidades urgentes da população organizando centros de serviços comunitários capazes de responder de forma adequada às seguintes necessidades: alimentação, atenção a saúde primária, assistência médica e psicológica em resposta aos traumas sofridos no momento do terremoto;

- Aproveitar o fato de que os grandes meios de comunicação olham nosso país para difundir uma imagem diferente da projetada pela forças imperialistas;

- Implementar novas formas de atuar que permitam superar a atomização e a dispersão que constituem uma das principais debilidades de nossas organizações. Este processo de aproximação deve se constituir com a estruturação de um espaço comum que possa acolher provisoriamente nossas seis equipes que continuam trabalhando de modo autônomo uma vez que implementaram mecanismos permanentes de intercâmbios e de trabalhos mutualizados. Estaremos atentos em fazer prevalecer um enfoque coletivo na busca de respostas comuns a nossos problemas na construção de uma alternativa democrática popular efetiva e viável.

Quanto à situação de urgência, estamos instalando centros de serviços. Um de nossos centros já implementado e em operação acolhe 300 pessoas que recebem comida duas vezes ao dia e estão protegidas sob tendas.

O centro oferece também consultas médicas e acompanhamento psicológico. Estes serviços são também proporcionados as pessoas que moram nos campos de refugiados na região. No centro da avenida Popupelard funciona graças ao apoio de profissionais haitianos (médicos, enfermeiros, psicólogos, trabalhadores sociais) apoiados por médicos alemães da organização de socorro Cabo Anamur. Tratamos de instalar centros similares em outros bairros da região metropolitana duramente afetadas pelo terremoto nos quais não existe nenhuma oferta de serviços dessa natureza. Instalaremos 4 nos bairros de Carrefour (Martissant, Fontamara) e de Gressier. Contamos com a solidariedade de todos nossos colaboradores para assegurarmos um funcionamento eficiente.

Ao mesmo tempo, nossas 2 plataformas e 4 organizações instalaram um ponto focal de encontros e de coordenação no local de FIDES-Haïti. Estamos dispostos a acolher nesse espaços novas plataformas e organizações do movimento democrático popular. Comprometemo-nos em mobilizar os diferentes componentes desse movimento para ampliar os esforços para socorrer aos sobreviventes e, de outro lado, para formular um plano comum para a reabilitação de nossas instituições e organizações. Apresentaremos esse plano e os projetos concretos que o acompanham brevemente.

A ajuda urgente da qual participamos é alternativa e temos a intenção de desenvolver um trabalho de denúncia das praticas tradicionais em matéria de intervenções humanitárias, as quais não respeitam a dignidade das vítimas e se inscrevem no marco de um processo de fortalecimento de nossa dependência. Lutamos por uma ajuda humanitária adaptada e respeitosa a nossa cultura e de nosso entorno e que não destrua as construções de economia solidária elaboradas faz várias décadas pelas organizações de base com as quais trabalhamos.

Para terminar queremos saudar, a extraordinária generosidade da opinião publica mundial manifestada pelo drama que vivemos. Somos gratos e acreditamos que é o momento de construir um novo olhar sobre o nosso país que permita construir uma solidariedade autêntica livre dos reflexos paternalistas de piedade e inferiorizarão. Deveríamos trabalhar para manter esta vigorosa solidariedade para além da excitação midiática. A resposta à crise demonstra que em certas situações os povos do mundo são capazes de ir para além das leituras superficiais e estereotipadas de corte sensacionalista.

A ajuda humanitária massiva é hoje indispensável dada a amplitude da catástrofe, mas deve ser estruturante articulando-se com uma visão diferente do processo de reconstrução. Deve romper com os paradigmas que dominam os circuitos tradicionais da ajuda internacional. Desejaríamos ver nascer brigadas internacionalistas de solidariedade que trabalhariam junto com as nossas organizações na luta pela realização de uma reforma agrária e de uma reforma territorial urbana integrada à luta contra o analfabetismo e para repovoação florestal, na edificação de novos sistemas educativos e de saúde universais, descentralizados e modernos.

Devemos também proclamar nossa cólera e nossa indignação frente à utilização da crise haitiana para justificar uma nova invasão de 20 mil marines norte americana. Denunciamos o que pode converter-se em uma nova ocupação militar, a terceira de nossa historia por tropas norte-americanas. Inscreve-se obviamente na estratégia de remilitarização do Caribe no marco da resposta do imperialismo a rebelião crescente dos Povos do continente frente à mundialização neoliberal.

Inscreve-se também em uma estratégia de guerra preventiva frente a uma insurreição eventual e social que viria de um Povo esmagado pela miséria em que se encontra em uma situação de desespero. Denunciamos o modelo aplicado pelo Governo norte-americano e a resposta militar frente a uma trágica crise humanitária. Ao se apoderar do aeroporto Toussaint Louverture e de outras infra-instrutoras estratégicas do país, privaram ao Povo haitiano de uma parte das contribuições que vinham do CARICOM, da Venezuela e de alguns países europeus. Denunciamos o método aplicado e não aceitamos que o nosso país seja transformado em uma base militar.

Nós, dirigentes das organizações e das plataformas iniciadoras dessa gestão, escrevemos-lhes hoje para transmitir nossa primeira analise da situação. Estamos convencidos que vocês – como já têm demonstrado – continuarão acompanhando nosso trabalho e nossa luta no marco da construção de uma alternativa nacional, que será fonte do renascimento de nosso país golpeado por uma catástrofe horrível e que lutará para sair do ciclo da dependência.

Porto Príncipe, 27 de janeiro de 2010.

Pelo Comitê de coordenação:

Sony Estéus - Diretor SAKS

Camille Chalmers - Diretor PAPDA

Marie Carmelle Fils-Aimé – Officier de Programme ICKL

Pelas organizações e plataformas que participam dessa iniciativa:

Marc Arthur Fils-Aimé, Institut Culturel Karl Léveque (ICKL)

Maxime J. Rony, Programme alternatif de Justice (PAJ)

Sony Estéus, Sosyete Animasyon ak Kominikasyon Sosyal (SAKS)

Chenet Jean Baptiste, Institut de Technologie et d’animation (ITECA)

Antonal Mortimé, Plataforma de Organizações Haitianas de Direitos Humanos (POHDH) que agrupa: Justice et Paix (JILAP), Centre de recherches Sociales et de Formation pour le Développement (CRESFED), Groupe Assistance Juridique (GAJ), Institut Culturel Karl Léveque (ICKL), Programme pour une Alternative de Justice (PAJ), Sant Karl Lévèque (SKL), Réseau National de Défense des Droits Humains (RNDDH), Conférence haïtienne des Religieux (CORAL-CHR)

Camille Chalmers, Plataforma haitiana de Advocacia por Desenvolvimento Alternativo (PAPDA) que agrupa : Institut de Technologie et d’animation (ITECA), Solidarite Fanm Ayisyèn (SOFA), Centre de Recherches Actions pour le Développement (CRAD), Mouvaman Inite Ti Peyizan Latibonit (MITPA), Institut Culturel Karl Léveque (ICKL), Association Nationale des Agroprofessionnels Haïtiens (ANDAH).

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Campanha da Dívida

fonte: http://1.bp.blogspot.com/charge_divida_publica1.jpg

sábado, 23 de janeiro de 2010

Haiti e a militarização nossa de cada dia

21/01/2010

publicado em http://carosamigos.terra.com.br/


Por Sandra Quintela


Colômbia com mais sete bases militares. Honduras sob um golpe militar legitimado por uma eleição sem legalidade. A Quarta Frota reativada em 1° de julho de 2008, depois de mais de 50 anos desativada e cuja função é patrulhar o Atlântico Sul. E agora o processo crescente de militarização da ajuda humanitária no Haiti.

No último dia 13 de janeiro, o mundo acordou com uma calamidade de dimensões assustadoras: 1/3 da população de um país, três milhões de pessoas desabrigadas, mais de 100 mil mortos, cerca de 40 mil mulheres grávidas sem a menor perspectiva de um teto para abrigar seus filhos e filhas. A comunidade internacional se movimenta a passos lentos no sentido de responder o quanto antes a essa tragédia: o terremoto do dia 12 de janeiro no Haiti.

Como explicar que a longínqua China envie alimentos que chegam mais rápido que os dos EUA, que está a menos de uma hora de voo de Porto Príncipe? Como explicar que os mais de dois mil fuzileiros navais sejam os primeiros “bens” dos EUA a aportarem nesta ilha caribenha?

Cuba, Venezuela e a própria Comunidade do Caribe (Caricom) imediatamente enviaram seus médicos, pessoal qualificado para desastres dessa dimensão. O avião da Caricom não pode aterrissar no aeroporto Toussaint Louverture, assim como o avião da Força Aérea Brasileira. Tiveram que aportar em Santo Domingo, na República Dominicana, uma vez que os fuzileiros navais dos EUA tomaram o controle do aeroporto e dos portos haitianos.

Cabe a pergunta: como se fecha portos e aeroportos logo após uma tragédia dessa dimensão em que a comunidade internacional está se mobilizando para o envio de medicamentos, comida e roupas? Fechar portos e aeroportos não compõe uma estratégia de guerra? Assim sempre soubemos.

Desde 2004, o Haiti está ocupado pelas tropas militares da ONU através da Missão de Estabilização do Haiti – Minustah. Desde então, várias organizações nacionais e internacionais têm se posicionado pela retirada das tropas. Após seis anos de permanência no país, pouquíssimo fizeram para a reconstrução do Haiti.

Sabemos que o comando militar dessa missão está sob responsabilidade do Brasil. Por depoimentos já veiculados na mídia, soubemos que as tropas brasileiras estão fazendo do Haiti um campo de treinamento. Como já escrevemos em outros artigos, esses treinamentos servem ao processo de militarização de diversas periferias urbanas. Não é a toa que há treinamentos dessas tropas em favelas do Rio de Janeiro. Elas vão ao Haiti e depois retornam à cidade carioca, como foi o caso da ocupação do Morro da Providência pela Guarda Nacional, em 2008.

Nesse momento de catástrofe, nos perguntamos: que papel está tendo a Minustah? Onde estavam seus soldados nos primeiros dias da tragédia? Os relatos que nos chegam do Haiti são de que a população pobre ficou absolutamente abandonada.

Com o crescente papel dos EUA no processo de militarização da ajuda humanitária no Haiti, nos perguntamos o que faz o Presidente Obama, achando pouco enviar soldados que podem chegar ao número de 14 mil, mobilizar Bill Clinton e George W. Bush para serem os coordenadores do esforço de reconstrução do Haiti.

Como explicar que em um país tão pequeno e tão pobre do Caribe, dois ex-presidentes da maior potência de guerra do mundo – os EUA – sejam designados a cuidar de sua reconstrução? O que está por trás de tudo isso? Em nossa opinião, são estratégias de vários tipos de militarização de nossos países da América. Estamos vendo, ao vivo e em cores, em nome da ajuda humanitária, um país ser ocupado militarmente após uma catástrofe monumental.

Assim, temos que fortalecer o grito de retirada das tropas militares do Haiti. Não se faz ajuda humanitária com tropas militares. O povo haitiano, através de suas organizações e movimentos sociais, precisa ser apoiado para que sua voz fale mais alto no processo de reconstrução do país.

Desde última segunda- feira, (18/01) foi constituída no Brasil a Frente Nacional de Solidariedade ao povo haitiano formada por movimentos sociais do campo e da cidade, por centrais sindicais, pastorais sociais, movimento negro, de mulheres, enfim, um espectro amplo de organizações da esquerda brasileira. A tarefa central é trabalhar a ajuda direta junto a organizações sociais haitianas e pela retirada das tropas militares. Muito trabalho existe pela frente. A reconstrução do Haiti vai ser lenta. Mas, não esqueçamos a dívida histórica que todos temos com este país. O Haiti foi a primeira nação do mundo a abolir a escravidão. Será que é esse o seu pecado?


Sandra Quintela, economista, é integrante do Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS)/ Rede Jubileu Sul